O setor bancário brasileiro, apesar de registrar lucros bilionários, segue na contramão da geração de empregos no país. Dados recentes da Pesquisa do Emprego Bancário, elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) de 2025, revelam um cenário preocupante: a eliminação de 8.910 postos de trabalho no setor, enquanto o mercado formal brasileiro abriu 1,28 milhão de vagas no mesmo período
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Essa retração no emprego bancário é ainda mais alarmante quando se observa que os três maiores bancos privados do país – Itaú, Santander e Bradesco – acumularam um lucro conjunto de R$ 87 bilhões em 2025
. Tal disparidade entre o desempenho financeiro das instituições e a redução de sua força de trabalho levanta sérias questões sobre a responsabilidade social do setor.
Desigualdades Aprofundadas e Impacto da Digitalização
A análise do Dieese aponta que a redução de vagas não afeta a todos de forma igualitária. As mulheres, por exemplo, foram as mais prejudicadas, respondendo por 5.667 dos postos de trabalho eliminados, o que representa cerca de 66% do total de demissões
. A pesquisa também destaca a manutenção de assimetrias de gênero, raça e etária, com mulheres negras e homens negros sendo desproporcionalmente afetados, e salários de admissão inferiores aos de desligamento, indicando uma precarização das novas contratações
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Enquanto isso, a área de Tecnologia da Informação (TI) foi a única a apresentar saldo positivo de contratações, com 845 novas vagas. Contudo, mesmo nesse segmento, a predominância masculina é evidente, com 78,3% das vagas ocupadas por homens
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O Sindicato dos Bancários de Itaperuna e Região observa que a digitalização e a automação, frequentemente citadas como justificativas para o enxugamento de pessoal, têm sido utilizadas para maximizar lucros em detrimento dos trabalhadores e da qualidade do atendimento. Em vez de gerar novas oportunidades e melhorar as condições de trabalho, a tecnologia tem levado à sobrecarga dos funcionários remanescentes e ao fechamento de agências, impactando diretamente a população que depende desses serviços
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## A Luta do Sindicato por Emprego e Direitos
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Diante desse cenário, o Sindicato dos Bancários de Itaperuna e Região reforça seu compromisso com a defesa dos direitos dos trabalhadores e a busca por um setor bancário mais justo e inclusivo. A entidade tem atuado ativamente nas mesas de negociação, pautando a importância da Lei de Igualdade Salarial e a necessidade de requalificação profissional para que os bancários possam acompanhar as transformações tecnológicas
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Uma das principais bandeiras do movimento sindical é a redução da jornada de trabalho para quatro dias, sem redução salarial. Segundo estudos, essa medida teria o potencial de criar mais de 108 mil novas vagas no setor, distribuindo o trabalho e combatendo o desemprego
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O Presidente do Sindicato dos Bancários de Itaperuna, Joanderson Gomes, comentou: "É inaceitável que, em 2025, o lucro conjunto dos três maiores bancos privados do país (Itaú, Santander e Bradesco) tenha sido de R$ 87 bilhões, e, mesmo assim, eles continuem com o processo de fechamento de agências e enxugamento de postos de trabalho. Isso contraria a responsabilidade social que as empresas do setor bancário devem ter, que envolve práticas que beneficiem toda a sociedade e não apenas a concentração de riqueza. A instituição da Lei de Igualdade Salarial foi um passo crucial na luta contra a discriminação de gênero e raça no setor. O Sindicato dos Bancários de Itaperuna e Região tem atuado ativamente na conscientização e fiscalização, exigindo que os bancos garantam a paridade remuneratória. A Mesa de Igualdade de Oportunidades, uma conquista histórica da categoria, é um fórum permanente onde avançamos em pautas fundamentais como diversidade, combate ao assédio, inclusão de populações vulneráveis (como trans e pessoas com deficiência) e igualdade salarial. Além de negociar com os bancos a concessão de bolsas de estudos e a requalificação profissional, para que os trabalhadores acompanhem as transformações tecnológicas, também defendemos que os impactos dos avanços tecnológicos no setor podem ser assimilados positivamente, pela sociedade e categoria, com a implementação da redução da jornada. A redução da jornada de trabalho é uma pauta fundamental para a geração de empregos e a melhoria das condições de vida dos bancários. Não podemos aceitar que a tecnologia seja uma desculpa para demissões, mas sim uma ferramenta para o desenvolvimento social e a valorização do trabalho."
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Referências
[1] Disponível em: Setor bancário fecha 8,9 mil postos em 2025 e contraria trajetória positiva do mercado de trabalho.
[2] Disponível em: Setor bancário elimina 8,8 mil postos de trabalho em 2025, apesar do avanço do emprego no país.
