Os três maiores bancos privados com atuação no Brasil — Itaú, Bradesco e Santander — encerraram o ano de 2025 com resultados financeiros que podem ser classificados como estratosféricos. Juntas, as instituições lucraram a cifra impressionante de R$ 87,05 bilhões, um montante que evidencia a enorme disparidade entre o sucesso financeiro das empresas e a realidade enfrentada pelos trabalhadores do setor.
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.O Itaú Unibanco liderou os ganhos com um lucro líquido gerencial de R$ 46,8 bilhões, registrando um crescimento de 13,1% em relação ao ano anterior
.Logo atrás, o Bradesco apresentou uma alta expressiva de 26,1%, atingindo R$ 24,65 bilhões
. Já o Santander reportou um lucro de R$ 15,615 bilhões, consolidando o Brasil como uma das fontes mais lucrativas para o grupo espanhol
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No entanto, por trás desses números bilionários, esconde-se uma política severa de redução de custos que atinge diretamente os bancários e a população. Somente em 2025, o Itaú extinguiu mais de 3,5 mil postos de trabalho
, enquanto o Santander fechou quase 6 mil vagas e desativou centenas de agências físicas
. Essa estratégia de "eficiência" resulta em sobrecarga de trabalho, metas abusivas e o adoecimento de pais e mães de família que sustentam a operação bancária
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> O Olhar de Itaperuna e Região
Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Itaperuna e Região, Joanderson Gomes da Silva, os resultados financeiros não são motivo de comemoração, mas de indignação. Ele ressalta que o lucro é fruto direto do esforço da categoria, que não vê o retorno em valorização ou melhores condições de trabalho.
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"Estamos diante de uma relação entre capital e trabalho profundamente desequilibrada. Enquanto os bancos acumulam bilhões, a nossa base em Itaperuna e região sente o peso do fechamento de unidades e da pressão por resultados inalcançáveis. Esse lucro é extraído do suor de bancários sobrecarregados e da cobrança de tarifas elevadas de uma população que vê o atendimento presencial desaparecer. Não aceitaremos que o progresso financeiro das instituições seja construído sobre a precarização da vida do trabalhador", afirma Joanderson.
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A manutenção da taxa Selic em patamares elevados e a seletividade na concessão de crédito são apontadas pelo movimento sindical como pilares que sustentam esses lucros, beneficiando o setor financeiro em detrimento do crescimento econômico do país e da distribuição de renda
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