Na última quarta-feira (28/01), o Banco do Brasil comunicou ao seu quadro de colaboradores o início de uma nova reestruturação administrativa. O movimento sindical bancário foi apenas notificado na véspera, sem qualquer consulta prévia ou oportunidade de opinar antecipadamente por parte da representação dos bancários.
Legalmente, a instituição pode efetuar a reorganização da mão de obra, respeitando os limites estabelecidos pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) e pela jurisprudência. No entanto, a participação das entidades sindicais, mesmo que apenas consultiva, poderia mitigar o estresse gerado por alterações gestadas em gabinetes fechados em Brasília. Os representantes sindicais teriam o conhecimento necessário para responder às diversas questões que pairam no ar, preenchendo as lacunas de informação deixadas pela comunicação institucional. Além disso, a ponderação das aspirações e anseios do funcionalismo tornaria o processo menos traumático e, consequentemente, menos dispendioso para a empresa.
Infelizmente, a área estratégica parece priorizar um modelo decisório que dispensa a participação de quem conhece e dialoga diariamente com o corpo funcional, ignorando as dificuldades enfrentadas por quem está na ponta da operação e poderia contribuir para soluções mais eficientes.
A atual reestruturação, que divulga a criação de mais de mil cargos comissionados, gera problemas rapidamente identificados pelos bancários. O principal é a submissão de centenas de colegas à possibilidade de remoção compulsória para locais de trabalho distantes – 50, 70, 100 ou mais quilômetros – da lotação atual. Dependendo do edital do concurso ao qual o funcionário está vinculado, essa movimentação pode violar o artigo 469 da CLT, que, em regra, exige a anuência do funcionário.
Outra vulnerabilidade está ligada à criação dos mais de 1.000 cargos comissionados. Realizada de forma apressada, sem aviso prévio ou fases preparatórias, há um sério risco de não haver funcionários suficientes para o suprimento de muitos dos cargos criados, devido à necessidade de pré-requisitos, como a obtenção da certificação da Anbima.
Os bancários apontam que o BB aproveita a reestruturação para consolidar a precarização das condições de trabalho. Ao "regularizar" cargos cortando dotação, o Banco penaliza quem contribui decisivamente para seus lucros bilionários e normaliza condições de trabalho desumanas, com unidades cada vez mais sucateadas em termos de recursos humanos.
A aposta em direcionar a mão de obra escassa para modelos de atendimento remoto evidencia a falta de funcionários. Para que a instituição possa almejar um futuro à altura de sua história bicentenária, é premente a necessidade de um novo concurso público.
